Santa Pousada
Lugar de hospedagem e repouso. Agitação, intensas vibrações. Concretização. Mudança, posições, camas, temperatura da água! Mesa, cadeiras e armário tudo num só lugar, porta trancada. Preocupação a qualquer momento de um convite a se retirar. Hilárias situações e provocações com respostas a gargalhar. Minutos estendidos, repetidas formas de relembrar. Desenvoltura desafiada e performance comprovada , difícil é depois de tudo isso conter o desejo de lá retornar. No rosto da recepção estampava a frase “ eita! essa noite vai rolar..” uma inquietação da bexiga do telefone tocar, esperando a bendita ligação do convite a se retirar, pois lugar de sossego é preciso respeitar, desocupem ou mando a polícia arrombar.. Era uma angústia tão grande desse momento chegar! Não tive outra, invoquei uma entidade criada na hora do sofrimento, em alta voz: Ô BENDITA NOSSA SENHORA DAS BICICLETAS!!! AJUDE-ME NESSE MOMENTO, PRIMEIRO ACUDA-ME AQUI.. EM SEGUIDA NÃO PERMITA QUE ARROMBEM A PORTA, E NOS PEGUEM NESSE CONSTRANGIMENTO, mas foi um santo remédio de socorro presente, pois foi só invocar e logo sútil efeito a danada saiu de cima, rindo e muito contente disse: desse jeito não dá pra se concentrar! Mas, voltei a respirar novamente! Já estava perdendo a memoria ficando inconsciente. Eita! alucinação da peste esse troço mata agente! o alívio foi passageiro apenas por alguns instantes, mudando de posição a agonia dessa vez foi constante, dessa vez não teve entidade que livrasse, então gritei: deixa sair de baixo! Pois daqui num guento um instante, o coração acelerava as pernas tremia a sensação voltava, era 220 voltes.. Não sei como, falando devagarinho pedi com carinho deixe-me sair.. foi aí que depois de muito sacolejo, surra da bexiga, saltei no corredor entre as camas onde lá me prendia, pulava de alegria parecia não acreditar de tanta sofrência que ali debaixo me fez passar, voltamos em seguida para outro movimento, loucura da peste, habilidades de se admirar, equilíbrio daqueles não foi possível suportar, olhava pra cima estava encima, para baixo tava lá essas pernas são de borracha essa elasticidade é de lascar, depois de tanto vai e vem, perna pra lá e pra cá, com um apoio da cama que vi, pensei comigo ela agora vai se desmontar, a cabeceira da cama na parede, essa bichinha não vai aguentar! o vizinho já já da um grito, frescura é essa, quero descansar, vocês tão num lugar errado procurem outro pra batucar, só tinha um jeito , uma imobilização, ela teve que aquentar o apoio foram os pés da cama, cheguei a ouvir o inheinhe... Era os parafusos já frouxos, tinha que arriscar, eita! to chegando.. o que foi isso menino? pausa.. Voltei a atuar, muito movimento, movimento, pronto! ”Acordei, nem café deu pra tomar, todos os dias desejo repetir o sonho, que não quis acordar.”
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